Com mobile saturado e pirataria no PC, estúdios brasileiros miram consoles

  • Gustavo Santos
  • 10 anos atrás
  • Copiar link

Estimativas da indústria apontam que há cerca de 60 milhões de videogames da atual geração no mercado, levando-se em conta PlayStation 4 e Xbox One. É um número respeitável, mas que não chega nem perto da base instalada de smartphones e computadores pessoais, na casa das centenas de milhões de unidades. Porém, com a saturação de jogos nos dispositivos móveis – em média, 500 títulos são lançados apenas para iOS todos os dias – e a pirataria, problema crônico no PC, há produtoras brasileiras que estão mais interessadas em levar seus jogos direto para os videogames.

“O jogo [quando lançado nos consoles] passa a ter mais visibilidade, fica mais conhecido pelo público no mundo todo e isso contribui muito para o sucesso futuro”, explica Daniel Monastero, um dos sócios da Garage 227, estúdio de sete funcionários que fica em São Paulo e se prepara para lançar “Shiny”, jogo de plataforma estrelado por um robozinho, no Xbox One.

A Garage 227 está entre as 26 empresas brasileiras nacionais presentes na Game Developers Conference (GDC), evento que reúne produtores de jogos de todo o mundo em San Francisco, nos EUA. Além de assistir a palestras com grandes nomes do mercado, os brazucas aproveitam para se reunir com representantes de Sony e Microsoft e tentar emplacar suas produções no PlayStation e Xbox, respectivamente.

Como o espaço para produções independentes é cada vez maior nos videogames, nunca houve tantas oportunidades para jogos brasileiros em um mercado que, até anos atrás, seria considerado inatingível. Não existem números precisos, mas hoje há pelo menos oito jogos tupiniquins em produção para videogames.

“Sony e Microsoft perceberam como é barato ter ‘indies’ de sucesso em seus consoles e como isso alavanca vendas. É uma oportunidade para todo mundo”, teoriza Saulo Camarotti, sócio da Behold Studios. A empresa de Brasília lançou “Chroma Squad” no PC em 2015 e agora vai levar o jogo aos consoles. “‘Chroma Squad’ vendeu 100 mil cópias no PC, o que é um grande sucesso pra nós. São mais de R$ 5 milhões para um jogo independente feito por um estúdio com doze pessoas”, comemora.

A Bad Minions, estúdio independente que também fica em Brasília, começou sua trajetória apostando nos jogos mobile nos idos de 2012, quando a empresa foi fundada. Na época, os jogos para celulares eram vistos como “a galinha dos ovos de ouro”, pois a concorrência era pouca e as chances de retorno financeiro maiores. Este cenário rapidamente mudou: “Lançamos dois jogos, mas não tivemos sucesso. As lojas estavam saturadas, especialmente de clones de jogos do momento”, conta Leonardo Batelli, um dos sócios da Bad Minions.

“Alkymia”, principal projeto da Bad Minions no momento, será lançado para PC, PlayStation 4 e Xbox One. “Colocar jogos nos consoles é fundamental, não só por alcançar vários jogadores mais facilmente, mas porque eles têm diversas iniciativas, como presença em eventos e ajuda na divulgação”, diz Batelli.

Embora sejam desenvolvidos no Brasil, os games claramente miram o público no exterior, já que um consenso sobre o mercado nacional não ser capaz de sustentar a operação dos estúdios. “Apesar de termos milhões de jogadores, um jogo independente não tem tanto apreço no mercado interno. Nós fizemos o jogo em português, nós lançamos por aqui, mas mais de 90% das nossas vendas é no exterior”, lamenta Camarotti, referindo-se a “Chroma Squad”.

Divulgação

Equipe do estúdio Bad Minions aposta em “Alkymia”, game para PC, PS4 e Xbox One

Para Batelli, o Brasil até poderia sustentar a produção de “Alkymia”, por exemplo, uma vez que há milhões de jogadores por aqui. O problema, no caso do PC, é lidar com a pirataria: “As pessoas pagam R$ 20 ou R$30 numa entrada de cinema, que dura duas horas, mas se recusam a pagar o mesmo valor por um jogo, que proporciona um tempo maior de diversão e você ainda vai poder guardá-lo”, lamenta.

Veja postagens relacionados

  • Como Tomodachi Life Enfrenta a Permissividade e Restrição Sexual na Era Digital

    Tomodachi Life é um jogo que, paradoxalmente, revela um espaço curioso para a exploração da sexualidade. Nesse contexto, a permissividade se choca com as diretrizes da sociedade moderna. Como isso afeta a experiência dos jogadores? Vamos explorar!Explorando a sexualidade em jogos: Tomodachi Life como exemploNo mundo dos jogos, Tomodachi Life se destaca. Ele oferece um espaço único para explorar a sexualidade e as relações. Com personagens que podem se apaixonar, o jogo provoca muitos debates.Os jogadores podem criar suas próprias…
    Saiba mais
  • This War of Mine ganhará remake até 2029

    Você sabia que This War of Mine vai ganhar um remake incrível? Com promessas de gráficos atualizados e jogabilidade modernizada, essa novidade tem tudo para atrair tanto novos jogadores quanto os fãs clássicos. Vamos descobrir mais sobre isso!Lançamento do remake esperado para 2028 ou 2029O remake de This War of Mine está previsto para ser lançado entre 2028 e 2029. Essa atualização vai trazer excelentes novidades para os fãs e também para novos jogadores. Embora o primeiro jogo já tenha…
    Saiba mais
  • Sony introduz nova regra de licença digital para PS4 e PS5

    A nova regra de Licença Digital Playstation da Sony vem causando alvoroço entre os gamers. O que você acha dessa mudança?Nova regra de licença digital da SonyA Sony anunciou uma nova regra de licença digital para os consoles PS4 e PS5. Isso significa que agora, para jogar certos títulos, você precisará de uma licença ativa. As licenças ajudam a proteger os direitos autorais e garantem que os desenvolvedores sejam recompensados por seu trabalho.Com essa mudança, você verá uma nova forma…
    Saiba mais