Acordo Ubisoft Tencent: Acionistas Pedem Renegociação Urgente
- Gustavo Santos
- 1 ano atrás
Os acionistas minoritários da Ubisoft, liderados pela AJ Investments, pressionam por maior transparência após o acordo com a Tencent, que inclui a criação de uma subsidiária com direitos sobre franquias como Assassin’s Creed e Far Cry. Propostas incluem renegociação do acordo, venda direta de ativos, distribuição de dividendo extraordinário de 23 euros por ação e limitação dos direitos de voto da Guillemot Brothers Holding, visando proteger os interesses de todos os acionistas.
Um grupo de acionistas minoritários da Ubisoft está pressionando a empresa a renegociar o acordo com a Tencent, levantando questões sobre transparência e benefícios para todos os acionistas.
Pressão dos Acionistas
A pressão dos acionistas minoritários da Ubisoft, liderada pela AJ Investments, se intensificou após o anúncio do acordo com a Tencent. A carta aberta enviada à empresa destaca a necessidade de convocar uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para que os acionistas possam votar sobre a proposta que envolve a criação de uma nova subsidiária, que abrigará os direitos de grandes franquias como Assassin’s Creed, Far Cry e Rainbow Six Siege.
O acordo prevê que a Tencent invista 1,16 bilhão de euros, adquirindo assim 25% da nova estrutura. No entanto, a AJ Investments expressa preocupações sobre a falta de transparência e os impactos que essa transação pode ter sobre os demais acionistas. Desde que o acordo foi anunciado, as ações da Ubisoft sofreram uma queda de 24%, o que é visto como um sinal claro de desconfiança por parte dos investidores.
Os acionistas estão preocupados com a forma como a estrutura do negócio pode beneficiar apenas um grupo restrito de investidores, em detrimento da maioria. Essa situação gerou um clima de incerteza e descontentamento, levando à proposta de reestruturação do acordo como uma venda direta de ativos para a Tencent, mantendo a avaliação de 4 bilhões de euros. Além disso, a proposta de um dividendo extraordinário de 23 euros por ação foi apresentada, totalizando 3 bilhões de euros, com o restante destinado à redução da dívida da empresa.
Esse cenário complexo levanta questões sobre o futuro da Ubisoft e a influência que a família Guillemot, que detém menos de 10% do capital econômico da empresa, pode ter nas decisões estratégicas. A AJ Investments pede que a Ubisoft impeça a Tencent de votar na AGE, dada a sua participação direta na transação, buscando garantir que as decisões tomadas reflitam os interesses de todos os acionistas.
Propostas de Renegociação
As propostas de renegociação apresentadas pela AJ Investments na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) visam reverter a falta de transparência e proteger os interesses dos acionistas da Ubisoft.
A primeira proposta sugere uma reestruturação do acordo com a Tencent, transformando-o em uma venda direta de ativos, enquanto mantém a avaliação de 4 bilhões de euros. Essa mudança seria uma forma de garantir que os direitos sobre as franquias icônicas da Ubisoft não fiquem comprometidos em uma estrutura que possa beneficiar apenas a Tencent.
A segunda proposta é ainda mais audaciosa: a distribuição de um dividendo extraordinário de 23 euros por ação, totalizando cerca de 3 bilhões de euros. A ideia é que essa distribuição traga alívio financeiro imediato aos acionistas, além de demonstrar que a Ubisoft está comprometida em valorizar seus investidores. O valor remanescente, segundo a proposta, seria utilizado para a redução da dívida da empresa, uma estratégia que poderia fortalecer a saúde financeira da Ubisoft a longo prazo.
Além dessas propostas, os acionistas também solicitam que a Ubisoft tome medidas para limitar os direitos de voto da Guillemot Brothers Holding, que atualmente possui uma influência desproporcional em relação à sua participação acionária. Isso é visto como uma tentativa de evitar que a estrutura atual do negócio favoreça a família Guillemot em detrimento dos demais acionistas.
Essas propostas refletem uma crescente insatisfação entre os investidores e a necessidade de maior responsabilidade e transparência na gestão da Ubisoft. A resposta da empresa a essas demandas será crucial para o futuro da companhia e para a confiança dos acionistas no seu gerenciamento.

