Split Fiction: a nova aposta cooperativa que pode redefinir as narrativas interativas

  • Gustavo Santos
  • 2 meses atrás
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O mercado de jogos cooperativos vive um momento curioso. Após anos dominado por experiências competitivas online e títulos como serviço, uma parcela significativa do público voltou a buscar aventuras focadas em história, cooperação local e experiências compartilhadas no sofá. É nesse cenário que surge Split Fiction, o novo projeto da Hazelight Studios, conhecida por transformar o coop em algo cinematográfico e emocional.

Mas afinal, o que é Split Fiction? O que já foi revelado oficialmente? E por que ele pode ser um dos jogos cooperativos mais importantes da geração?

A Hazelight e o legado do cooperativo narrativo

Antes de mergulhar em Split Fiction, é impossível ignorar o histórico do estúdio responsável. A Hazelight Studios, liderada por Josef Fares, ganhou destaque mundial com A Way Out, uma aventura inteiramente focada em cooperação obrigatória. O jogo mostrou que ainda havia espaço para experiências lineares, narrativas e fortemente cinematográficas no mercado moderno.

O verdadeiro salto, porém, veio com It Takes Two, vencedor do The Game Awards 2021 como Jogo do Ano. Com mecânicas criativas que mudavam constantemente e uma abordagem lúdica sobre relacionamentos, o título consolidou a Hazelight como referência absoluta em design cooperativo.

Split Fiction surge justamente como o próximo passo dessa filosofia.

O conceito de Split Fiction

De acordo com as informações divulgadas oficialmente pela Hazelight, Split Fiction mantém o foco em cooperação obrigatória, mas expande o conceito para algo ainda mais ousado: duas protagonistas presas em mundos inspirados por gêneros literários diferentes — ficção científica e fantasia.

A premissa gira em torno de duas escritoras, cada uma com seu estilo narrativo. Um experimento tecnológico acaba misturando suas criações, forçando ambas a atravessarem cenários que alternam entre elementos futuristas e mundos mágicos.

Essa mistura permite uma liberdade criativa gigantesca. Em um momento, os jogadores podem estar enfrentando criaturas mitológicas com poderes mágicos; no seguinte, podem estar fugindo de robôs gigantes em cidades cyberpunk.

Alternância constante de mecânicas

Se há algo que a Hazelight domina é a capacidade de reinventar o gameplay a cada capítulo. Em It Takes Two, praticamente toda fase introduzia novas mecânicas que raramente se repetiam.

Split Fiction promete elevar isso a outro patamar. Como os mundos são derivados da imaginação das protagonistas, cada segmento pode apresentar regras próprias, física diferenciada e habilidades únicas.

Isso abre espaço para:

  • Combate mágico cooperativo
  • Sequências de plataforma em gravidade zero
  • Trechos com manipulação do tempo
  • Quebra-cabeças assimétricos
  • Fases inspiradas em stealth sci-fi
  • Momentos mais contemplativos e narrativos

Essa variedade é um dos maiores trunfos do projeto.

Narrativa como motor da jogabilidade

Diferente de muitos jogos cooperativos que tratam a história como pano de fundo, Split Fiction coloca a narrativa no centro da experiência.

A ideia de duas autoras com visões criativas diferentes gera conflito natural. A construção de personagem aqui não é apenas dramática — ela influencia diretamente o gameplay.

Uma protagonista pode ter poderes mágicos ligados à fantasia épica. A outra pode manipular dispositivos tecnológicos. O design coop não é apenas dividir tarefas, mas complementar estilos narrativos e mecânicos.

Essa abordagem reforça algo que já era marca registrada da Hazelight: a integração total entre história e jogabilidade.

Direção artística: mundos contrastantes

Um dos aspectos mais promissores de Split Fiction é seu potencial visual. Ao misturar ficção científica com fantasia, o jogo pode alternar entre:

  • Castelos flutuantes e florestas encantadas
  • Metrópoles neon repletas de drones
  • Bibliotecas vivas que se transformam
  • Cenários que literalmente se reescrevem

A transição entre esses mundos pode ser um espetáculo técnico, especialmente nos consoles da geração atual.

Caso o estúdio mantenha o nível de criatividade visto em It Takes Two, podemos esperar ambientes altamente interativos e cheios de personalidade.

Cooperação obrigatória: novamente o diferencial

Assim como seus antecessores, Split Fiction será uma experiência exclusivamente cooperativa. Não haverá modo solo tradicional.

Essa decisão pode parecer arriscada do ponto de vista comercial, mas é justamente o que garante a identidade do estúdio.

Ao eliminar a possibilidade de jogar sozinho, os designers podem criar desafios que realmente exigem coordenação, comunicação e sincronização.

Isso transforma o jogo não apenas em entretenimento, mas em experiência social.

Impacto no mercado atual

O sucesso de It Takes Two mostrou que há demanda por jogos coop premium que não sejam live service.

Split Fiction chega em um momento em que muitos jogadores estão saturados de passes de batalha, microtransações e fórmulas repetitivas.

Um título fechado, focado em narrativa e cooperação local/online, pode funcionar como contraponto refrescante.

Além disso, o histórico da Hazelight indica que o jogo pode alcançar tanto crítica quanto público.

Desafios e expectativas

Apesar do hype, Split Fiction enfrenta desafios claros:

  • Superar o impacto cultural de It Takes Two
  • Manter inovação sem parecer repetição
  • Garantir variedade real ao longo da campanha
  • Sustentar ritmo narrativo consistente

O maior risco seria depender demais da fórmula já conhecida.

Por outro lado, o conceito de mundos literários misturados parece suficientemente forte para sustentar algo novo.

Comparações inevitáveis

Split Fiction será inevitavelmente comparado a:

  • It Takes Two
  • A Way Out
  • Jogos narrativos cooperativos como “Brothers” (também associado a Josef Fares no passado)

A diferença aqui parece estar na escala e na liberdade criativa proporcionada pelo tema da imaginação.

Se bem executado, pode se tornar o projeto mais ambicioso da Hazelight até agora.

Potencial para inovação estrutural

Um dos aspectos mais interessantes é a possibilidade de o jogo brincar com estrutura narrativa.

Se as protagonistas são escritoras, o jogo pode explorar:

  • Quebra da quarta parede
  • Alteração de capítulos em tempo real
  • Reescrita de eventos
  • Mundos que se transformam conforme decisões

Isso permitiria uma camada metalinguística rara em jogos coop.

Mercado cooperativo em ascensão

Nos últimos anos, jogos cooperativos voltaram a ganhar relevância. O sucesso de It Takes Two e de títulos multiplayer cooperativos mostrou que a experiência compartilhada ainda é poderosa.

Split Fiction pode consolidar uma nova fase do gênero: coop narrativo de alto orçamento.

Se funcionar, pode inspirar outros estúdios a investirem nesse formato.

Conclusão: pode ser o novo padrão do coop moderno?

Split Fiction representa mais do que apenas o próximo jogo da Hazelight. Ele simboliza a consolidação de um modelo que prioriza criatividade, cooperação genuína e narrativa integrada.

A mistura de ficção científica e fantasia, aliada ao histórico do estúdio, cria expectativas elevadas — mas justificadas.

Se entregar a variedade prometida, manter o ritmo dinâmico e aprofundar a relação entre suas protagonistas, Split Fiction pode não apenas repetir o sucesso de It Takes Two, mas superá-lo.

Em um mercado cada vez mais dominado por fórmulas seguras, jogos como esse lembram que inovação ainda é possível.

E, acima de tudo, que jogar junto ainda é uma das experiências mais poderosas que os videogames podem oferecer.

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