7 Maneiras Como Monument Valley 3 Usa Paisagens Sonoras para Encantar
- Gustavo Santos
- 1 mês atrás
Monument Valley 3 não é apenas um jogo visualmente deslumbrante, mas também uma obra-prima sonora. A forma como o jogo utiliza paisagens sonoras para contar a história de Noor cria uma experiência imersiva única para os jogadores. Desde a escolha de instrumentos globais até a interação dinâmica do áudio com as ações do jogador, cada detalhe sonoro foi pensado para transmitir emoções e enriquecer a narrativa.
Este artigo explora como o áudio em Monument Valley 3 vai além da trilha tradicional, tornando-se parte integrante do gameplay e da história, convidando você a mergulhar nessa viagem sonora que estreia em julho de 2025 para Xbox.
A Abordagem Experimental do Som em Monument Valley 3
Em Monument Valley 3, a equipe de áudio decidiu quebrar o molde das versões anteriores e apostar em uma abordagem totalmente experimental para o som. Ao invés de simplesmente repetir fórmulas já consagradas, o diretor de áudio Todd Baker e a co-compositora Lucie Treacher partiram de uma tela em branco, permitindo que novas ideias florescessem sem amarras.
Cada nível do jogo foi concebido como uma instalação sonora única, onde o som não é apenas um acompanhamento, mas um personagem ativo que dialoga com as emoções e visuais daquele cenário específico. Essa liberdade criativa trouxe uma sensação fresca e inovadora para a trilha sonora, que se adapta e evolui conforme o jogador avança.
Essa abordagem experimental também abriu espaço para a inclusão de elementos sonoros inusitados, desafiando o jogador a perceber o áudio como parte fundamental da experiência, e não apenas um pano de fundo. É como se cada passo dentro do jogo fosse uma nota em uma composição viva, sempre surpreendente e cheia de nuances.
Instrumentos Globais e Riqueza Cultural na Trilha Sonora
Uma das grandes sacadas de Monument Valley 3 é a incorporação de instrumentos musicais de diversas culturas ao redor do mundo, o que confere à trilha sonora uma riqueza única e envolvente. Em vez de usar apenas sons tradicionais orquestrais, a equipe escolheu instrumentos como o Bansuri, uma flauta indiana de sopro suave, o Gamelan, conjunto de percussão da Indonésia, e o Kora, uma harpa típica da África Ocidental.
Esses elementos não foram selecionados por serem exóticos, mas porque trazem texturas sonoras que se conectam profundamente com a história de Noor, a protagonista, e o universo que ela habita. A mistura dessas sonoridades cria uma atmosfera culturalmente rica, que enriquece a narrativa e faz o jogador sentir-se parte de um mundo vivo e pulsante.
Além disso, a base da trilha é sustentada por uma seção de cordas com 17 músicos, garantindo que a música mantenha uma estrutura sólida, enquanto esses instrumentos globais adicionam camadas emocionais e sensoriais que elevam a experiência sonora a outro patamar.
Som Interativo e Paisagens Sonoras que Respondem ao Jogador
O que realmente diferencia Monument Valley 3 é seu som interativo, que responde diretamente às ações do jogador, transformando cada movimento em uma experiência musical única. Todd Baker e Lucie Treacher investiram pesado em técnicas como a síntese granular e design de instrumentos virtuais para criar um sistema de áudio que evolui em tempo real.
Imagine que a própria arquitetura do jogo vira um instrumento: ao girar torres, mover blocos ou guiar Noor pelos enigmas, a música se adapta, cresce e muda, como se você estivesse compondo enquanto joga. Essa dinâmica faz com que o jogador não seja apenas um espectador, mas um coautor da trilha sonora, criando uma imersão sonora sem precedentes.
Além disso, essa interatividade reforça o tema central do jogo — a transformação —, já que o áudio se molda e se transforma junto com o ambiente e a narrativa, criando uma conexão emocional ainda mais profunda.
A Água como Elemento Musical e Ambiental
Em Monument Valley 3, a água não é apenas um elemento visual, mas uma peça fundamental da paisagem sonora. Simbolizando destruição e renovação, a água foi capturada em uma vasta biblioteca de sons, desde o suave gotejar até o som envolvente de ambientes subaquáticos.
Esses sons foram processados e incorporados tanto como texturas ambientais quanto como elementos musicais que se entrelaçam com a trilha sonora. Em certos momentos, a água cria uma atmosfera calma e meditativa; em outros, ela se torna parte da melodia, adicionando ritmo e profundidade.
Cada gota, cada ondulação, foi cuidadosamente pensada para ampliar a sensação de imersão, fazendo o jogador sentir a presença viva e dinâmica da água enquanto explora os mundos de Noor.
A Trilha Sonora Tátil e Cinematográfica
A trilha sonora de Monument Valley 3 foi criada para ser tão tátil quanto cinematográfica, onde cada interação do jogador soa como uma nota em uma composição maior. O design de áudio detalhado e em camadas faz com que sons simples, como o giro de uma engrenagem, se transformem em cliques rítmicos e harmoniosos que se encaixam perfeitamente com a música ambiente.
Essa abordagem faz o jogador sentir que está improvisando uma performance única a cada jogada, como se o próprio jogo fosse um instrumento vivo. A colaboração estreita entre os compositores e os designers de níveis garantiu que o áudio estivesse integrado desde o início, reforçando a narrativa e a ambientação.
O resultado é uma experiência sonora envolvente e emocional, que guia o jogador pela jornada de Noor com delicadeza e intensidade, criando momentos de introspecção e clímax que elevam o impacto do jogo.
Colaboração entre Áudio, Design e Narrativa
Um dos segredos por trás do sucesso sonoro de Monument Valley 3 é a colaboração estreita entre as equipes de áudio, design e narrativa. Desde o início do desenvolvimento, Todd Baker e Lucie Treacher trabalharam lado a lado com os designers de níveis e roteiristas para garantir que o som não fosse apenas um complemento, mas um elemento essencial da história.
Essa integração permitiu que cada som, cada melodia, estivesse alinhada com a jornada emocional da protagonista Noor, reforçando temas como transformação, descoberta e conexão. Por exemplo, mudanças sutis na trilha sonora acompanham os momentos de revelação e desafio, criando uma sinergia perfeita entre o que o jogador vê, sente e ouve.
Além disso, essa colaboração interdisciplinar ajudou a criar um ambiente imersivo onde áudio, visual e narrativa se entrelaçam, oferecendo uma experiência de jogo coesa e memorável, que toca o jogador em múltiplos níveis.
Como o Áudio Guia a Jornada Emocional de Noor
Em Monument Valley 3, o áudio não é apenas um pano de fundo; ele é o guia invisível da jornada emocional de Noor. Cada nota, cada melodia, foi cuidadosamente composta para refletir as emoções que a protagonista vive — desde a curiosidade e a esperança até os momentos de dúvida e transformação.
Por exemplo, em cenas de descoberta, a música se torna leve e etérea, quase como um sussurro que convida o jogador a explorar. Já em momentos de tensão ou desafio, os tons se tornam mais profundos e envolventes, criando uma sensação palpável de urgência e introspecção.
Essa conexão íntima entre som e emoção faz com que o jogador não apenas veja a história de Noor, mas sinta cada passo da sua jornada, tornando a experiência mais profunda e memorável.